O CREPÚSCULO E A AURORA – KEN FOLLETT

quarta-feira, outubro 29, 2025

 


Depois de uma ressaca literária com “Uma fortuna perigosa”, foi difícil me envolver com a narrativa de “O crepúsculo e a aurora”, mas com certa insistência e muita paciência, sem me preocupar tanto com quanto tempo eu demoraria a finalizar a leitura, finalmente a história me fisgou e eu já não conseguia mais largar o livro, brigando comigo mesma para fazer as outras coisas da vida adulta.

 

“O crepúsculo e a aurora” (2020) é o terceiro da minha lista de livros de Ken Follett para ler em 2025, e apesar de não ter nada a ver com as histórias de “Tripla espionagem” (2019) e “Uma fortuna perigosa” (1993), ele é praticamente um prólogo de “Os pilares da terra”, lançado em 1989.

 

Follett nos transporta para uma jornada épica ao fim da Idade das Trevas, também conhecida como Alta Idade Média, um período da história européia que se estende do século V ao século X, após a queda do Império Romano do Ocidente. Aqui, em resumo, vemos uma história de guerra, muita rivalidade (inclusive entre homens e mulheres), amor e ódio, e marca ainda a criação da cidade de Kingsbridge, a cidade que dita a trama de “Os pilares da terra”.

 

Na primeira parte, intitulada “O casamento”, estamos no ano de 997 d.C. acompanhando as histórias de vidas que se cruzaram entre a Normandia e a Inglaterra. Enfrentando ataques dos galeses de um lado e do outro dos vickings, os homens ingleses no poder fazem justiça de acordo com os seus próprios interesses, ignorando o povo e, na maioria das vezes, desafiando o próprio rei, já que sem uma legislação clara o caos reina de forma absoluta.

 

Com tanta selvageria a ser enfrentada pela população, acompanhamos o encontro de três jovens: Ragna, a nobre normanda que desafia os pais para se casar com Wilwulf, o homem inglês pelo qual se apaixona; Aldred, um monge que sonha transformar sua humilde abadia em um centro de estudos conhecido em toda a Europa; e Edgar, um construtor de barcos que perde o pai e a mulher que amava e vê sua terra dilacerada pelos vickings, sendo forçado a se mudar com a mãe e os dois irmãos para um povoado inóspito.

 

Os três lutam por um mundo mais justo do jeito que podem, com as armas que tem nas mãos, lutam por um mundo próspero e livre. O problema nessa história é Wynstan, um bispo inteligente e extremamente cruel, meio-irmão de Wilwulf, que vai fazer absolutamente tudo o que for possível para aumentar sua influência e sua fortuna, mesmo que para isso ele precise assassinar algumas pessoas.

 

Na parte “O julgamento”, no ano de 998 d.C., Ragna se vê envolvida em uma violenta disputa por autoridade, já que todos desejam estar no lugar do senhor das terras e ficar com sua herança, e qualquer passo falso pode ser catastrófico. Após alguns meses do casamento, acreditando estar vivendo o amor da sua vida com Wilf, mesmo após ser mal recebida na Inglaterra, Ragna descobre por Gytha, sua sogra-madrasta, que seu marido é casado e tem um filho de aproximadamente 18 anos. Gytha é apenas mais uma víbora que quer controlar tudo e todos para ter tudo o que deseja, e quanto mais rápido destruir o amor arrebatador que Wilf sente por Ragna, uma jovem perspicaz, inteligente e indomável, mais rápido ela irá triunfar, visto que antes da chega da jovem quem administrava o andamento das coisas era ela.

 

Descobrir que não pode controlar o marido, controlar com quem ele tem relações sexuais, vendo que, da mesma forma que a primeira esposa foi colocada de lado e que ela também pode ser caso Wilf se canse dela, Ragna usa sua astúcia e seu jeito doce para não perder o interesse do marido, tentando ditar algumas regras justas de forma delicada, em seu benefício, dos mais indefesos e na intenção de mostrar a ele as cobras que tem na família, sem ele perceber que ela é que está mandando Wilf tomar as decisões. Mas Ragna não pode contar com isso por muito tempo, e também não pode confiar em todos que acredita que querem lhe ajudar. Além da sogra-madrasta e do cunhado bispo, tem Wigelm, o outro meio-irmão de Wilf sem um pingo de inteligência, mas com muita sede de sangue.

 

Na terceira parte, “O assassinato”, nos anos de 1001 a 1003 d.C., o que já era injusto começa a piorar e minha revolta lendo esse livro foi enorme. A frieza com que os meio-irmãos Wynstan e Wigelm e a madrasta Gytha planejam o assassinato de Wilf para tirar ele do poder e destruir Ragna após o nascimento dos três filhos homens do casal é grotesca. Desde que chegou à Inglaterra o que Ragna mais sofreu foi injustiça, vinda de todos os lados, mas principalmente dos homens que se achavam no poder ou que achavam que tinham direito a ele, ditando regras para seu próprio benefício, indo totalmente contra as ordens do rei.

 

A família de Wilf foi uma delas. Após deixar de lado sua primeira esposa e seu filho, casar com Ragna contra a autorização do rei e prometer a ela que apenas os filhos com ela herdariam suas terras e riquezas, colocou todos em uma má posição com o rei. Quando Wynstan e Wigelm conseguem o que querem, Ragna e seus filhos viram reféns dos dois irmãos e, para me revoltar ainda mais com a brutalidade dos homens, passa a ser estuprada frequentemente por Wigelm após ser sequestrada e se recusar a casar com ele por nojo, por não amá-lo e por saber tudo o que ele fez contra o próprio irmão com as próprias mãos para obter poder. Casando-se com Ragna, ele poderia controlá-la e além de ficar com as riquezas do irmão, automaticamente o rei daria a ele o direito de ser dono das terras.

 

É revolta atrás de revolta, e quando você vira uma página na esperança das coisas melhorarem, o mal continua seguindo seu rumo sem piedade alguma. Durante todo esse tempo, Ragna pôde contar com alguns aliados que de fato desejavam o seu bem, dois deles eram o monge Aldred e o construtor Edgar, por quem Ragna foi se apaixonando ao longo dos anos e que a ajudava a manter seu poder nas terras que herdara no casamento. Edgar, assim como Aldred e Ragna, luta por justiça, pelo fim dos escravizados, pelo fim dos homens ruins no poder. Aldred luta para que o bem vença o mal, que os bispos não sejam tão avarentos e que não abusem do seu poder superior contra os mais pobres.

 

Na quarta e última parte, intitulada “A cidade” narrando os anos de 1005 a 1007 d.C., acompanhamos o crescimento da Travessia de Dreng, que após a construção da ponte de Edgar ordenada pelo rei, passa a se chamar Kingsbridge. Quando Edgar chega ao local com sua mãe e seus dois irmãos, após o ataque dos vickings destruir tudo o que tinham, eles encontram uma terra infértil, um solo improdutível, e seria preciso muito trabalho para conseguir sobreviverem ali. Com muito esforço a família foi, aos poucos, conseguindo, e a inteligência de Edgar não fez apenas a família prosperar e ter o seu próprio sustento, mas com a ajuda de Aldred eles tornaram o pequeno povoado em uma cidade próspera, com feiras movimentadas, com missas cheias de fiéis e um local onde as pessoas começaram a desejar se estabilizar.

 

Não apenas isso, mas aqui vemos o enredo nos levar à construção da catedral de Kingsbridge, que será tema principal do livro “Os pilares da terra”, e temos também o desfecho dessa trama que foi tão revoltante pra mim, com muita injustiça, maldade e abuso de poder, principalmente com as mulheres e os mais pobres. Follett, como em todas as outras obras que já li, realiza uma pesquisa histórica detalhada para compor seus enredos e personagens, e é impossível não ser fisgado pela sua narrativa que te prende do início ao fim.

 

Se você gosta de história, trama com uma reviravolta reconfortante no final e uma pitada de suspense, “O crepúsculo e a aurora” com certeza é uma leitura que você vai gostar!

 

Você já leu esse livro ou já ouviu falar? Me conta nos comentários o que achou!

E se ainda não leu já coloca na sua lista.

Até o próximo post!

 

O CREPÚSCULO E A AURORA

PÁGINAS: 701

AUTOR: KEN FOLLETT

EDITORA: ARQUEIRO

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