“No
princípio de tudo, só havia uma Verdade –
e
essa Verdade é o Amor.”
Mesmo depois de
tantas leituras, ainda hoje me pergunto se algum dia eu vou deixar de ser uma
eterna romântica, que sonha em ter um amor como nos livros, tão intenso e
lindo! Se isso for errado, que me perdoem os céticos, mas prefiro continuar
suspirando e me deleitando com as minhas leituras e a minha imaginação!
Dando continuidade à
trilogia AÛSUB, o segundo livro, “Helene e Augusto”, nos transporta para
a Europa da Idade Média, mais precisamente na região de Ligúria, na Itália. A
inquisição, criada em 1231 (século XIII) pelo papa Gregório IX e que permaneceu
ativa até o século XIX, tinha o objetivo de perseguir, julgar e punir as
heresias, a feitiçaria e todos aqueles que iam contra os mandamentos da igreja
católica romana, utilizando de diversas formas de tortura, e sendo uma desculpa
para ter controle social e político das pessoas, ocasionando o assassinato de milhares
de pessoas. Ou como você também pode conhecer como a famosa “caça às bruxas”.
É com essa
perseguição que conhecemos a história de Helene, uma jovem que fugia dos
soldados romanos com sua família e com tantos outros membros da sua religião. Com
seu pequeno irmão Paolo no colo, a fuga seria impossível para salvar os dois,
mas o medo não permitia que Helene parasse, enquanto via vários dos seus sendo
atacados e mortos no meio do caminho, rogando a ajuda dos deuses.
Após parar para tomar
fôlego, Helene ouve os galopes do cavalo se aproximando e na tentativa de se
defender, após o cavaleiro descer do cavalo e vir em sua direção com a espada
apontada para ela, Helene pega uma pedra e acerta na cabeça do cavaleiro,
fazendo o elmo do soldado cair e a pedra partir ao meio, e logo após, a força
de um punho a acertar e derrubá-la ao chão, fazendo Helene ter uma última visão
de dois belíssimos olhos azuis antes da escuridão a envolver.
Augusto só queria
chegar logo em casa, assim como os homens que o acompanhavam. Porém, um dos
seus cavaleiros acabou se ferindo durante a caçada e precisou da ajuda de uma
das mulheres prisioneiras. Obrigada a ajudar, Hagne, a velha senhora
sacerdotisa, tinha a incumbência de fazer o homem continuar vivo, mas não seria
fácil. Com a ajuda dos deuses e de Helene, ela conseguiu remover a adaga do
homem e eles puderam então seguir o caminho.
Ao chegarem ao seu
destino final, o castelo da família de Augusto, os intitulados hereges/pagãos
foram divididos para os trabalhos, tornando-se escravos e sendo obrigados a converterem-se
ao cristianismo, significando mais tributos à Santa Religião. Outros foram
selecionados para serem enviados a Roma e aguardar a sentença da Igreja para
sua heresia. Helene, Agathe e Hagne foram escolhidas para ajudarem na cozinha e
na limpeza.
Em uma madrugada, os
poucos pagãos que restaram naquelas terras, se encontraram às escondidas em uma
cachoeira com alguns instrumentos musicais arranjados e outros improvisados, para
cantarem e tocarem o hino de adoração à Deusa Hera, Mãe de todos e de todas. Em
meio à euforia e ao êxtase, Helene voltou do transe ao qual se encontrava
durante aquele ritual fora do mundo material, para encontrar Augusto saindo de
trás das árvores. Acreditando que seriam punidos por tamanha heresia, ainda
assim, Helene enfrenta Augusto de frente, quando ele questiona se eles não
implorariam para que ele poupasse suas vidas enquanto Helene afirma que suas
vidas não pertenciam a ele. E, por algum motivo sobrenatural, Augusto matou os
dois guardas de seu pai que o acompanhava, protegendo assim Helene e seus
companheiros.
Augusto jamais
esqueceria aquela imagem que viu na cachoeira, a deusa Vênus dançando, nua,
contemplando a noite e a natureza, algo nada convencional para um cristão. O
que, afinal de contas, estava acontecendo com ele? Helene o estava
enlouquecendo! Existia algo entre eles
que Augusto não conseguia explicar. Será que Helene sentia o mesmo? Ou será que
era apenas impressão de Augusto? Será que o desejo que ele sentia por Helene
era tão grande a ponto de fazê-lo ver o que não existia?
Entre momentos
sobrenaturais, para aqueles cristãos que nada entendiam de sentimentos, muito
menos de sentimentos intensos como os que estavam tomando Augusto, no segundo livro da trilogia AÛSUB, Helene e Augusto nos contam que, antes de Madalena e de
Josué se encontrarem, as suas almas já tinham se amado séculos atrás,
descobrindo juntas a força desse sentimento que é capaz de transcender a
barreira da morte.
Apesar
de ser um romance ficcional, Ana P. R. Vale nos lembra sobre a maldade que os
cristãos cometeram, e todas as atrocidades que causaram, para àqueles que iam
contra as crenças que eles queriam pregar. Que apenas as palavras deles, o deus
deles, é que era dono da verdade. Acompanhamos a perseguição que usou um deus
para justificar os crimes que cometeram contra pessoas, principalmente contra
mulheres que sabiam demais, que impunham as suas opiniões, em um mundo onde
apenas os homens tinham esse direito.
É um
romance lindo, principalmente para quem acredita na força do amor, mas é uma
história que causa revolta pelas atrocidades narradas, mas que ainda assim, nos
permite sonhar com um sentimento puro, intenso e transcendental.
Embarque
na estória do casal que deu origem à mágica linhagem da qual Madalena descende
e descubra como tudo começou!
Você
já conhecia essa história?
Me
conta o que achou!
Até
o próximo post!
AÛSUB
– HELENE E AUGUSTO
PÁGINAS:
492
AUTOR: ANA P. R. VALE











